Primeiro lugar em medicina da USP fez cursinho popular

“Sempre fui estudiosa, mas se não fosse o cursinho, não teria conseguido. Eu me sentia perdida com tanto a estudar e o cursinho me deu um norte”, diz Bruna.

Bruna Sena Reis, 17 anos, é uma das aprovadas no vestibular da Fuvest deste ano, para cursar Medicina. O feito de Bruna ganhou as redes sociais e os jornais. Além de ser aprovada no curso mais concorrido da Fuvest em 2017, Medicina da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), outros três fatores contribuíram para a futura médica virar notícia. Bruna foi a primeira colocada no vestibular para Medicina na FMRP; estudou na rede pública de Ribeirão Preto, na Escola Estadual Alberto Santos Dumont, e frequentou o Cursinho Popular da Medicina (CPM). A caloura da FMRP entrou pelo vestibular da Fuvest e utilizou bônus do Programa de Inclusão Social da USP (INCLUSP)

Cursinho Popular da Medicina

O Cursinho da Medicina, projeto de extensão universitária criado em 2008 pelos participantes do Programa de Educação Tutorial (PET) da FMRP, é coordenado por alunos da USP que também assumem as aulas, com apoio da Comissão de Graduação e diretoria da FMRP. Na foto acima, alunos e professores do Cursinho Popular do PET Medicina – FMRP-USP.

Oferece 100 vagas anuais, com 11 meses de duração, de fevereiro a dezembro. As aulas são realizadas no prédio da FMRP, de segunda a sexta-feira, das 18h45 às 22h25, e envolvem disciplinas de português, literatura, matemática e redação, matemática, física, química, biologia, geografia, história, inglês, sociologia, filosofia e atualidades.

Para 2017, as inscrições já ocorreram e a seleção será na primeira semana de fevereiro. Veja aqui informações sobre o CPM.

Segundo os coordenadores, um curso pré-vestibular comunitário apresenta grandes benefícios à comunidade, pois aumenta as possibilidades de pessoas carentes ingressarem no ensino superior público, de forma a desenvolver efetivamente os objetivos de inclusão social a que se propõe esta Universidade. “Além disso, o cursinho constitui um ambiente ideal para que se trabalhe a disseminação de cultura e o desenvolvimento de uma postura crítica do aluno, além da habilidade de reflexão, a fim de melhor compreender e intervir no mundo que o cerca”.

Já a prática de dar aulas, “proporcionará aos estudantes-professores um papel ativo na democratização do acesso à universidade pública, gratuita, de qualidade e para todos, ao invés de manter o universitário restrito a simples consumidor do espaço. De modo que, à sociedade que mantém o ensino público por meio de seus impostos, retribuiremos facilitando o acesso de pessoas à universidade pública que defenderão os interesses dessa mesma sociedade”.

Para os professores Sonir Antonini, da Comissão de Graduação, e Margaret de Castro, diretora, ambos da FMRP, a história de Bruna demonstra, portanto, a importância de ações do terceiro setor da sociedade, como o Cursinho Popular do PET-Medicina, nos avanços sociais. “Há dentro da FMRP e da própria USP, o reconhecimento de que medidas inclusivas são necessárias e bem-vindas para estimular e facilitar o ingresso de jovens talentos de todos os extratos sociais em seus cursos. A USP tem defendido políticas de inclusão para alunos de baixa renda oriundos de escolas públicas; a criação do INCLUSP e a adesão ao SISU são alguns exemplos concretos dessa tendência”, finaliza a diretora.

João Vitor Resende, acadêmico do terceiro ano de Medicina da FMRP e professor voluntário no cursinho, vê como gratificante os resultados como o de Bruna. “Eles têm muita consciência social e política, são engajados e isso torna mais gratificante, ainda, encontrá-los como colegas de turma”.

Mariana Passos de Souza, também aluna do terceiro ano de Medicina e diretora do Cursinho, comemora o desempenho dos alunos do CPM nos vestibulares deste ano e destaca a parceria com a Rede de Ensino Poliedro, que doa todo o material didático. “Até agora foram cerca de 30 aprovações em universidades públicas; 4, em primeiro lugar. Essas aprovações têm aumentado progressivamente, o que mostra que estamos no caminho certo”, finaliza.

Por: Rosemeire Soares Talamone (com informações da diretoria da FMRP)

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