Startup desenvolve hormônio biotecnológico

Produto induz ovulação de rebanhos com mesma eficiência dos existentes no mercado, mas com custo até 50% menor e sem utilizar animais na produção

Aumentar a eficiência produtiva dos rebanhos bovinos e suínos pela indução de ovulação das fêmeas sem recorrer aos hormônios reprodutivos de extração animal. Essa é a proposta da Kimera, startup de biotecnologia ligada à Supera Incubadora de Empresas de Base Tecnológica (Ribeirão Preto). A startup acaba de apresentar ao mercado o hormônio r-eCG – desenvolvido a partir de células modificadas por tecnologia do DNA recombinante.

Camillo Del Cistia Andrade, doutor em genética pela Universidade de São Paulo (USP) e sócio-diretor da Kimera, explica que a inseminação artificial é uma técnica em crescimento no Brasil e, atualmente, é ferramenta essencial para o aumento produtivo dos rebanhos. “Os pecuaristas de todos os portes utilizam a técnica para que um grande número de animais seja inseminado, mas esbarra na limitação técnica da detecção do cio dos animais que podem não apresentar sincronia, aumentando o tempo para a inseminação”.

Para resolver essa questão, surgiu a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), que utiliza hormônios reprodutivos para a indução programada do cio dos animais. “Esses hormônios fazem o ovário produzir óvulos na época da estação de monta com o objetivo de fazer a sincronização de lotes, sincronizando a época de reprodução e, consequentemente, o nascimento dos bezerros, impactando em toda a cadeia de produção”, conta Andrade.

Os hormônios utilizados e disponíveis no mercado têm como princípio ativo o eCG (Gonadotrofina Coriônica equina). “É um hormônio extraído do sangue de éguas quando ela está prenha, o que significa que para obtê-lo é necessário ter um rebanho de éguas e constantemente prenhes”, esclarece.

Como alternativa ao método, a Kimera Biotecnologia desenvolveu o hormônio r-eCG, que tem o mesmo objetivo dos hormônios de extração animal, porém é produzido através do cultivo de células modificadas por tecnologia do DNA recombinante. “O hormônio desenvolvido pela Kimera é totalmente produzido em laboratório sem a necessidade de extração de sangue das éguas”, explica Andrade, acrescentando que o hormônio desenvolvido pela Kimera passou por testes comparativos e os resultados são animadores.

Testes confirmam eficácia do hormônio

Os testes avaliaram atividade em bovinos, utilizando ultrassom em vacas induzidas ao cio através da administração do hormônio eCG e do hormônio r-eCG. Os testes foram realizados em fêmeas da raça Nelore, paridas pelo menos uma vez, divididas em grupos homogêneos: 127 vacas receberam o hormônio eCG e 50 o hormônio desenvolvido pela Kimera.

A inseminação artificial foi realizada após a análise por ultrassom e observação da ovulação de cada animal de ambos os grupos. “Os resultados apontaram taxa de prenhez de 50,2% para o grupo eCG, e de 48% para o r-eCG (Kimera). E na análise do crescimento folicular o resultado foi semelhante”, enfatiza o pesquisador.

“Os testes mostram que é possível reproduzir o hormônio em laboratório, utilizando um processo biotecnológico de cultivo. A principal vantagem do método novo é o custo de produção aproximadamente entre 30% a 50% mais barato, além da questão ética que exclui a utilização de éguas prenhas no processo de produção”.

Mais informações: camillo@kimerabiotecnologia.com

 

Por: Ana Cunha, Assessoria de Comunicação do Supera Parque

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *