Mini-implantes oferecem mais qualidade à prótese dental

Design inovador garante eficiência de implantes odontológicos com redução de custos e resíduos ambientais

Apesar dos avanços tecnológicos, a odontologia ainda não conseguiu diminuir os cerca de 16 milhões de “desdentados” brasileiros. Mas uma novidade em implantes dentários está saindo dos laboratórios da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP) da USP e promete melhorar a qualidade de vida dos que sofrem pela falta de dentes.

A professora Andréa Cândido dos Reis, da FORP, criou um sistema, composto por mini-implantes e dispositivos protéticos e cirúrgicos, com o qual espera superar as principais dificuldades dessa área da clínica odontológica.

Para testar a ideia, reuniu especialistas de diferentes áreas – da engenharia de materiais à física e odontologia – que analisaram e comprovaram a eficácia da técnica. Segundo os pesquisadores, ela restaura funções dentais sem os desconfortos das dentaduras e os riscos das cirurgias invasivas dos implantes convencionais a um custo muito menor. Assim, acreditam que essa modalidade de tratamento será acessível para a maioria da população.

As vantagens dos mini-implantes da FORP, diz a professora, está na eficiência dos seus dois milímetros de diâmetro, contra os 3,4 a cinco milímetros dos implantes convencionais e, ainda, os dois a três milímetros dos demais mini-implantes hoje comercializados. Às menores dimensões, acrescentaram formatos chanfrados e autoperfurantes, além de modelos com broca helicoidal, também com função de corte.

Essas características, conta a professora Andréa, garantem redução na quantidade de dispositivos para a instalação cirúrgica do implante, o que diminui os custos; dispensa a necessidade de enxerto ósseo (que é comum nesses procedimentos) e minimiza o trauma cirúrgico. Por ser pouco invasivo, causa menor dano aos tecidos da boca e “reduz o tempo e estresse, tanto para o profissional como para o paciente”.

Eficiência sob dentadura convencional e com apelo ecológico

Os implantes dentários – colocação de um suporte de metal (geralmente de titânio) no osso maxilar (abaixo do nível gengival) que procura substituir a raiz do dente – já são bastante conhecidos. Sobre eles, o dentista consegue montar dentes substitutos, “solucionando uma série de problemas associados ao uso de próteses convencionais”, comenta a professora.

Entre esses problemas estão dificuldades na mastigação, absorção de importantes nutrientes e com a fala; estética desfavorável e até distúrbios psicológicos, como a baixa autoestima e exclusão social. É que a prótese total convencional (dentadura) apresenta boa retenção e estabilidade na parte superior. Mas, a inferior, “na grande maioria das vezes, é pouco retentiva e instável, devido às próprias características do tecido ósseo na região”. Essa instabilidade dificulta, segundo a especialista, a realização de atividades simples como conversar, rir e, principalmente, mastigar.

Contudo, os implantes não são viáveis a todos os casos de falta de dentes. Além de caros – o  preço dos implantes pode ser até quatro vezes maior do que a de prótese convencional – a instalação das bases de metal requer cirurgia e, comumente, enxerto ósseo. Já com os mini-implantes, o procedimento é menos complexo, dispensa os enxertos e diminui riscos cirúrgicos, “principalmente àqueles que têm saúde comprometida”, diz a professora.

O design das peças dos mini-implantes da FORP, com diâmetro reduzido e formatos autoperfurantes e com novos designs de roscas e tratamento de superfície, amplia ainda mais a acessibilidade ao tratamento. A técnica reduz o número de dispositivos para instalação, o tempo de cirurgia e recuperação do paciente. Segundo Andréa, esses fatores facilitam e “ampliam consideravelmente as indicações para cirurgias”, tanto para fixar próteses maiores, como as totais, quanto para próteses unitárias.

Como foi pensado para promover benefícios à saúde e acessibilidade financeira, esse novo produto responde a outra questão que preocupa cada dia mais a vida no planeta: a ambiental. “Uma vez que prioriza reduzir a utilização de metais e polímeros em todas as fases de seu processamento, também diminui a quantidade de resíduos que seriam descartados, e levariam décadas para serem degredados”, argumenta a pesquisadora.

Todo o sistema desenvolvido no Campus da USP em Ribeirão Preto, mini-implantes e dispositivos para cirurgia e retenção de próteses, já está patenteado. Os estudos que culminaram com a inovação fazem parte de projeto de pesquisa financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) em parceria com o professor José Augusto Marcondes Agnelli, da Universidade Federal de São Carlos. Também contou com a participação da pesquisadora Mariana Lima da Costa Valente, que trabalha em seu doutorado na FORP sob orientação da professora Andréa Cândido dos Reis.

Mais informações: andreare73@yahoo.com.br

Por: Rita Stella

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