Divisão de lucros pode reduzir desigualdade social

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Empreendimentos de economia solidária, como algumas cooperativas, não trabalham com divisão de classes e ajudam a reduzir a desigualdade social

A desigualdade social é um dos principais gargalos para o bem-estar da população e consequentemente o desenvolvimento do país. Também pode ser um dos desencadeadores de problemas como violência, desigualdade de gênero e pobreza, por exemplo. Ao estudar os modelos de práticas de gestão de empreendimentos que atuam em causas sociais, o administrador Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira Júnior analisou a contribuição dessas organizações para minimizar a desigualdade no país.

Oliveira Júnior percebeu que empreendimentos que trabalham para a diminuição das desigualdades sociais no Brasil cumprem seu papel de acordo com sua pesquisa na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP.

Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira Júnior – Foto: arquivo pessoal

Segundo o pesquisador, no Brasil, aproximadamente três milhões de pessoas trabalham nesses modelos de gestão, com destaque para o Terceiro Setor, que representa quase 80% deste montante. Dados de 2016 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostram que existem quase 20 mil empreendimentos de economia solidária no Brasil. “Economicamente, esses modelos de negócios representam entre 6 e 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país”, comenta Sócrates.

“Todas as experiências investigadas ajudam a resolver algum problema social, portanto, é possível afirmar que todas elas contribuem direta e indiretamente para a redução das desigualdades, atuando cada qual da sua forma específica”, explica Oliveira Júnior.

Os modelos estudados foram organizações do terceiro setor, empreendimentos de economia solidária e negócios sociais (modelo Yunus). Os três modelos têm como função principal a missão de resolver algum problema social, o que muda é o modo como eles se mantêm e em que eles têm maior potencial.

Organizações do terceiro setor, em sua maioria, são mantidas por doações e parcerias e têm maior potencial para resolver problemas sociais específicos como, por exemplo, o acesso de crianças ao esporte e à cultura. Empreendimentos de economia solidária buscam desenvolver financeiramente as pessoas que se encontram em vulnerabilidade social (um exemplo é uma cooperativa de coleta seletiva que gera renda para os catadores de material reciclável), ou fomentar um novo tipo de relação comercial, menos predatória e mais cooperativa. Já os negócios sociais buscam aumentar o impacto das ações, tentando aliar estrutura e eficiência empresarial com a resolução de causas sociais. Por ser um conceito novo, tem maior potencial para se desenvolver. Um exemplo prático é um empreendimento em São Paulo que reforma casas insalubres que trazem prejuízos à saúde dos moradores.

Os três modelos cumprem a função de ajudar a reduzir a desigualdade social, mas é difícil afirmar qual deles é melhor para isso, porém os empreendimentos de economia solidária conseguem transformações de forma mais profunda para reduzir a desigualdade, pois rompem com o sistema econômico, visto que eles não trabalham com divisão de classes definidas, como por exemplo donos e empregados, e, como não tem dono definido, o lucro obtido com a produção é dividido entre os trabalhadores.

A dissertação Redução das desigualdades sociais: estudo comparado da gestão de organizações do Terceiro Setor, de Empreendimentos de Economia Solidária e de Negócios Sociais – Modelo Yunus teve orientação do professor João Luiz Passador, do departamento de Administração da FEA-RP.

Por: Lívia de Oliveira Furlan

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