Jogos de videogames contribuem para o combate à obesidade infantil

Conflitos de imagem e problemas de socialização são alguns dos fatores que mostram a eficácia dos jogos eletrônicos

Para aqueles que acreditam que os videogames são apenas mais uma brincadeira de criança, não é bem assim. Um estudo realizado na Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) da USP mostra que a tecnologia pode ser uma aliada no combate à obesidade e, ainda, promover sentimentos positivos ligados à autoestima e imagem corporal.

Esses resultados apareceram no estudo da educadora física Rafaella Belem Aragão, que analisou os efeitos de um programa de exercício físico realizado com exergames na Escola Educação Física e Esportes de Ribeirão Preto (EERP) da USP. Rafaela conta que escolheu os jogos de videogame pelo fato de serem uma “alternativa de fácil acesso por crianças com dificuldade de interação, que geralmente apresentam tendência de isolamento social e evitam atividades físicas em grupo. Já os exergames são ferramentas bastante interessantes, que podem de certa forma introduzir à prática de atividades físicas no cotidiano de crianças obesas, com sobrepeso ou até mesmo inativas.”

Participaram 50 crianças de seis a 11 anos, de ambos os sexos, classificadas como obesas ou com sobrepeso. A função do exergame foi além da introdução à prática de atividades físicas. Por meio de uma câmera, o equipamento capta as expressões dos usuários, e reproduziram as ações simultaneamente.

A pesquisadora apostou na possibilidade da criança, ao se exercitar por meio dos exergames, passar por um processo de autoconhecimento  e de familiarização com seu corpo e, assim, elevar sua autoestima, com melhores condições emocionais para o enfrentamento de desafios. E, os resultados mostraram que o efeito foi positivo sobre a autoestima dessas crianças, principalmente sobre a imagem corporal.  

Esse ambiente virtual, diz Rafaella, proporcionou uma sensação de segurança e proteção para as ameaçadoras e duras críticas que elas imaginaram receber e, assim, desenvolveram suas habilidades físicas e também sociais e, consequentemente, melhoraram a autoestima. “O uso dos exergames promoveu uma melhora significativa nos sentimentos positivos e a diminuição dos negativos, que são os sentimentos ligados à autoestima e imagem corporal”, explica.

Quanto aos resultados antropométricos, ou seja, medidas e dimensões do corpo, a pesquisadora diz que não houve uma diferença significativa nos valores de Índice de Massa Corporal (IMC) dessas crianças. Porém, nos valores das dobras cutâneas subescapulares, e tricipital, face posterior do braço, houve diminuição significativa. A pesquisadora acrescenta que “em relação a hábitos alimentares e níveis de atividade física, talvez o tempo de duração do programa, não tenha sido suficiente para provocar mudanças.”

Obesidade e o mundo virtual

Para a pesquisadora atualmente é possível verificar que o virtual passou a ocupar um espaço cada vez maior no cotidiano das pessoas e nas mais diversas áreas. Já em 2015, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) alertava que mais de 28% da população brasileira passava mais de três horas assistindo à televisão todos os dias. Pode estar aí o fator que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a classificar a obesidade e o excesso de peso como epidemia do século 21, pois consideram que em pouco tempo esses fatores vão alcançar proporções epidêmicas em todo o mundo.

A pesquisadora lamenta que as tecnologias limitem as ações tanto físicas quanto mentais. “O ser humano está mais acostumado com o conforto do que com a prática de atividades físicas.” Uma investigação feita em 2015 pela AVG Technologies em todo o mundo, mostrou que 66% das crianças entre três e cinco anos de idade conseguiam usar jogos de computadores, 47% sabiam como usar um smartphone, mas apenas 14% eram capazes de amarrar os sapatos sozinhas.

O trabalho, Efeitos de exergames na autoestima, imagem corporal e antropometria de crianças com sobrepeso/obesidade foi orientado pelo professor Hugo Tourinho Filho e defendido em julho deste ano.

Mais informações: e-mail aragao.rafaella@hotmail.com

Por: Thainan Honorato

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *