Estudo mapeia tendências de inovação para agronegócio nacional

307 agtechs atuantes podem levar Brasil a liderar o setor, mas dificuldade na conexão com investidores e grandes empresas persistem

Inovações para gestão de fazendas representam cerca de 20% dos negócios das startups brasileiras que têm como foco o agronegócio. É o que revela o mapeamento de AgTechs, elaborado pela Liga Insight em parceria com o Supera Parque de Inovação e Tecnologia, de Ribeirão Preto, e Inovajab – Incubadora de Base Tecnológica da Universidade Estadual Paulista (UNESP), localizada em Jaboticabal, interior de São Paulo.

O mapeamento foi lançado em abril e aponta que, no país, o número de startups atuantes no setor chega a 307, agrupadas em 18 diferentes categorias. Deste total, além dos 20% destinados à gestão de fazendas, as startups que desenvolvem soluções em biotecnologia, hard sciences e bionergia representam 11%, seguidas pela categoria VANTs (veículos aéreos não tripulados), Drones e Geoprocessamento (10%) e E-commerce, Marketplace e Economia Compartilhada (10%).

Pesquisadora do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do Supera Parque, Denise Arruda explica que queriam entender o ecossistema de inovação no Brasil. “Se há um tema em que o Brasil pode ter um dos maiores campos do mundo para fomentar e desenvolver inovação é o setor agropecuário. Entretanto, as informações ainda estão bem dispersas”.

A ideia inicial, segundo Denise, foi responder algumas perguntas: quais são as principais tendências do setor? O que as startups estão produzindo? Quais são os serviços que elas oferecem? A pesquisadora acredita que as respostas permitirão “articular e otimizar a interação entre os players do agronegócio nacional”.

O trabalho foi realizado em estudos e relatórios já publicados, banco de dados, agências de fomento, editais de premiação e portfólios de incubadoras. Identificaram um total de 750 startups, mas alguns filtros (base tecnológica e cadeia de valor do agronegócio) reduziram levantamento a 307 empresas inovadoras de base tecnológica atuantes no setor.

O mapeamento está disponível para consultas online gratuitas no site da Liga Ventures.

Soluções inovadoras para demanda crescente por alimentos

Eduardo Cicconi, gerente do Supera Parque, explica que a agropecuária responde por, aproximadamente, 24% do PIB do Brasil e vem buscando soluções que contribuam para que o setor consiga atender à crescente demanda dos consumidores. “Estudos apontam que o crescimento populacional será de 33% até 2050, o que significa que a produção de alimentos terá que aumentar cerca de 70% para atender essa demanda. Esse é apenas um dos motivos para que sejam desenvolvidas soluções inovadoras que contribuam para minimizar os gargalos do setor”, diz.

Ele lembra que a região de Ribeirão Preto é muito forte no setor de agro, mas com poucas iniciativas de desenvolvimento tecnológico. “Por isso, entendemos que é nosso papel incentivá-lo. Percebemos que diversas tecnologias que são aplicadas a outros setores poderiam ser reaproveitadas no agronegócio”, ressalta.

O gerente do Supera Parque também acredita que na importância da tecnologia para modernizar o agronegócio e dar mais competitividade ao setor. “Existem muitas soluções sendo geradas no âmbito da academia que, quando transformadas em inovação, são capazes de reduzir custos operacionais para o empresário, movimentando toda uma cadeia produtiva”, diz.

Contudo, Cicconi vê dificuldade das startups na conexão com investidores e grandes empresas, principalmente por “uma certa resistência de parte das corporações” na exposição dos problemas que enfrentam. Um melhor relacionamento e comunicação com as corporações “poderia auxiliar na solução desse problema e trazer agilidade, profissionais qualificados e redução de custos para essas empresas”.

Supera Parque, parceria para inovação

O Supera Parque de Inovação e Tecnologia de Ribeirão Preto é resultado de uma parceria da Universidade de São Paulo (USP), Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto e Secretaria de Desenvolvimento do Governo do Estado de São Paulo, gerido pela Fipase. Instalado no Campus da USP de Ribeirão Preto, abriga a Supera Incubadora de Empresas, o Supera Centro de Tecnologia, a associação do Arranjo Produtivo Local (APL) da Saúde, o Polo Industrial de Software (PISO), além do Supera Centro de Negócios.

Atualmente, estão instaladas no Parque 69 empresas; 49 delas na Supera Incubadora de Empresas de Base Tecnológica; 12, em empreendimentos no Centro de Negócios e 8, na aceleradora SEVNA Startups.

Mais informações: ana@skycomunicacao.jor.br

Por: Ana Cunha, Assessoria de Comunicação do Supera Parque

Foto: Michel Martore – Flickr CC

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