De mocinhos a vilões os fungos podem causar grande desequilíbrio ambiental

Candida auris, a infecção causada por ele é resistente a medicamentos e pode ser fatal – Foto: Science Photo Library

Evento em Ribeirão Preto vai discutir esses seres oportunistas que podem causar mais mortalidade em seres humanos do que a tuberculose e a malária juntas

Os fungos já foram classificados como vegetais e também como protistas – grupo a que pertencem as algas, mas acabaram ganhando seu próprio reino, do Fungi. Para o professor Gustavo Goldman, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, que estuda os fungos há mais de 30 anos, na natureza esses seres podem ser comparados aos famosos personagens Dr. Jekyll e Mr. Hyde, do escritor escocês Robert Louis Stevenson, na obra O Médico e o Monstro. 

No primeiro caso, Dr. Jekyll, eles são fundamentais para o equilíbrio da natureza, responsáveis pela reciclagem de matéria orgânica, e importantes para a indústria, como, por exemplo, na alimentícia para a produção de bebidas e alimentos, e na farmacêutica na produção de enzimas e antibióticos. No seu lado Mr. Hyde, são os mais importantes patógenos de plantas; levam à perda de até 30% dos alimentos, seja por ação direta sobre as plantas ou pós-colheita. 

E o Mr. Hyde da natureza, que representa uma ameaça, será tema do Simpósio “Fungal threats to animal, plant and ecosystem health” que acontece no campus da USP de Ribeirão Preto entre os dias 28 e 30 de agosto. O evento reúne especialistas brasileiros e internacionais em biologia fúngica para discutir a ameaça de fungos ao meio ambiente e à saúde humana.

O professor Goldman lembra que esses fungos produzem diversas toxinas que contaminam os alimentos e têm se destacado em extinções de espécies como morcegos, répteis e anfíbios. “São agentes oportunistas causando mais mortalidade em seres humanos do que a tuberculose e a malária juntas”.

Ainda, segundo o pesquisador, os fungos possuem grande capacidade metabólica e podem utilizar fontes de carbono altamente recalcitrantes como lignina e celulose. “Têm uma capacidade de crescimento muito rápida, sendo muito difíceis de controlar. Além disso, existem poucos agentes antifúngicos disponíveis, e para a maior parte deles, a resistência clínica ou na agricultura tem evoluído rapidamente”.

Essa resistência, segundo o pesquisador, pode levar a extinções de espécies e  causar grande desequilíbrio ambiental, por isso a importância de ampliar o conhecimento de seus mecanismos de atuação. “Neste evento teremos a participação de pesquisadores como Antonis Rokas, da Vanderbilt University, dos Estados Unidos; Fernando Rodrigues, da Universidade de Braga, Portugal; e Vishu Kumar, do Instituto Pasteur, França;  serão discutidos todos os aspectos de fungos oportunistas em humanos, de plantas e aqueles que causam ameaças ambientais”, conclui. 

A coordenação do evento é dos professores Goldman e Rafael Silva-Rocha, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e conta com apoio dos Programas de Pós-Graduação em Bioquímica, Biologia Celular e Molecular da FMRP e também das Pró-Reitorias de Pesquisa e de Pós-Graduação da USP.

As inscrições podem ser feitas aqui, até o preenchimento das 60 vagas disponíveis, sem nenhum custo para a participação. As atividades acontecem no Salão Nobre, Prédio Central da FMRP, Av. Bandeirantes 3900, Ribeirão Preto-SP.

Mais Informações: (16) 99336-4881 e no site 

Por: Rosemeire Talamone

Foto: Anna Carolina – Flickr CC

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